DESAFIOS NO MUNDO ATUAL: as crianças não sabem esperar

De acordo com estudos, a geração alpha – formada por indivíduos nascidos a partir de 2010, tem o imediatismo e a ansiedade como seus maiores desafios. A ansiedade, considerada o “mal do século”, entre os adultos, já atinge uma em cada oito crianças e surge, muitas vezes, a partir do convívio com a família, que tem um papel fundamental no desenvolvimento infantil e na construção deles como pessoas. Ou seja, se ela presencia brigas ou se preocupa demais com algo, ela pode desenvolver ansiedade.

Um levantamento feito pelo Google Friend’s, ferramenta que mostra os termos mais usados na internet, mostrou que o termo “ANSIEDADE” coloca o Brasil em 1º lugar num ranking mundial.

Essa geração de crianças tem, cada vez mais, suas necessidades atendidas “sob demanda”: desenhos animados no serviço de streaming, jogos on-line, comida pedida em aplicativos, (inclusive em portas de escola), mesmo as mesmas tendo ótima infraestrutura de lanchonetes e até restaurantes.

Isso gera uma urgência desmedida e, consequentemente, uma angústia nos pequenos cérebros em desenvolvimento.

Até determinada idade, é normal certo auto centramento, o famoso “eu primeiro”. Isso faz parte do desenvolvimento normal do indivíduo, e acontece porque as crianças ainda não conseguem perceber as necessidades alheias. No entanto, desde a 1ª infância, (0 a 5 anos) é possível começar a ensinar sobre a importância de esperar. Do contrário, sua capacidade de se frustrar no futuro pode ser limitada, e é o que temos presenciado, nos últimos tempos.

Para criar um ambiente suficientemente bom para a criança, ou seja, aquele que vai propiciar seu desenvolvimento saudável, os pais devem deixar que ela experimente a frustração, na forma de negativas e do adiamento do objeto de desejo, sempre que assim considerem necessário.

Mas, esse aprendizado só se dá de maneira plena quando a criança é acolhida em sua frustração pelo adulto cuidador, com afeto e diálogo franco sobre suas verdadeiras e essenciais necessidades.

Sempre ouvimos e sabemos, até por experiência própria, que as crianças de antigamente não eram assim, que tinham paciência.

Contudo não se fala que “aprendiam” ao esperar na marra, pois não tinham voz nem vez. Hoje, no mundo moderno, é natural que a criança se mostre impaciente em alguns momentos, devido há vários estímulos tecnológicos e midiáticos, mas a quantidade de vezes que esse comportamento aparece e sua intensidade devem ser observadas pelos pais e cuidadores.

Se a criança não consegue esperar nem um minuto para qualquer coisa que queira, e se reage a isso com descontrole emocional, machucando a si ou a outros, a famosa “birra”, é hora de ligar o sinal de alerta.

Quando têm todos os desejos atendidos, as crianças podem achar, por exemplo, que o leite vem do supermercado, ou que as roupas saem do cesto sozinhas e aparecem limpas, secas e dobradas dentro do armário e que, inclusive, que ganhar dinheiro é fácil, basta ter um cartão de plástico para materializar seus sonhos.

Nesse momento é imprescindível os pais explicarem que para quase tudo há caminhos, processos com uma ordem a ser seguida, para obtermos o que desejamos.

Uma boa dica é fazer com que as crianças participem das atividades e conheçam o mecanismo, do ter, para assim irem aprendendo o ser.

Desenvolver a habilidade da paciência é importante para toda a vida, diminuindo a ansiedade nas crianças, pois elas tendo o conhecimento de suas atividades de uma forma regular e saber o que farão no seu dia a dia criará também uma rotina, tão necessária para uma boa educação.

Quando a criança é pequena, não tem noção do tempo, nem de valor. Mesmo assim, é possível explicar que, por exemplo até a mamãe chegar do trabalho, o filho vai brincar, almoçar, tomar banho e dormir; e que, quando o ponteiro grande chegar no 12 é hora de almoçar para ir ao colégio.

Afinal, na idade adulta há inúmeras esperas necessárias: a espera pelo nascimento de um filho, por uma promoção no trabalho, pelo resultado de um exame importante, enfim a vida é um eterno esperar.  

Porém, treinar o cérebro desde a infância reduz a ansiedade, ampliando a resiliência e, consequentemente, seu sentimento de aceitação e contentamento diante do mundo.

Como pais, cuidadores e educadores, devemos colaborar e sermos exemplos, pois o mundo está repleto de imediatismo, mas nós podemos e devemos ser as âncoras para essa nova geração.

A Escola de Pais tem um importante papel social, desafiando padrões que surgem, os enfrentando com capacidade e experiência de mais de 60 anos, sempre com direcionamento e embasamento para uma boa e eficaz educação familiar.

Regina L. Azevedo Gabriele – Advogada, Pós-graduada em Direito Educacional; Professora há mais de 30 anos; Kids e Teens Coach e Presidente do Conselho Consultivo da EPB, juntamente com seu marido Armando Gabriele.

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