Como educar filhos e netos no mundo atual em constantes transformações?

Hispanic grandfather holding newborn baby granddaughter

Educar sempre foi e será um grande desafio, pois os tempos mudaram e continuam se transformando em uma velocidade nunca vista anteriormente. As ações humanas parecem carecer de mais tempo para se efetivarem, no entanto, os intervalos permanecem em suas velocidades normais, um minuto tem 60 segundos, uma hora possui 60 minutos, um dia contém 24 horas e assim por diante. O que mudou foi a forma de encarar o tempo, somos nós que atribuímos pressa a tudo.

Desde que a revolução industrial começou, substituindo o trabalho braçal pelo mecânico, a produção humana teve um redimensionamento estrondoso. Tudo é feito de forma imediatista e com a maior “perfeição” possível. Passamos de produtores a produzidos, de comandantes a comandados, de ativos a passivos, de pensantes a pensados, de seres humanos a objetos de produção ou produtivos, de indivíduos à “massa de manobra”. Que loucura! O mundo voltará a ser como antes? Não. Vai mudar ainda mais e muito rapidamente. E então o que fazer? Eis algumas dicas:

  1. Compreender que a evolução humana depende de indivíduos, tudo o que é feito ou deixa de ser realizado possui consequências. Os reflexos dos atos humanos afetam não só as pessoas, mas também os ecossistemas que elas habitam. Não existem atos neutros.
  2. A conexão universal engloba o universo e não apenas o planeta Terra, “somos cidadãos do infinito”, como diz Pe. Zezinho em uma de suas lindas canções. O universo funciona em perfeita ordem, ainda não foram encontrados meios de controlá-lo ou modificá-lo.
  3. Tomar consciência de que tudo está intrinsecamente interligado é o primeiro passo para compreender o que somos e fazemos: tudo depende de nós.
  4. Buscar evoluir como humanos, não perder as dimensões fundamentais: físico-biológicas (somos seres vivos), socioeconômica (somos sociais e produtivos), intelectual-psicológica (somos racionais e emotivos) e espiritual- transcendental (somos vinculados ao infinito e a esperança). Evoluir equilibradamente nos faz humanos e convivas de um mundo que construímos e continuamos construindo, adequado aos ditames atuais, dependendo de como o queremos. Um lugar em que há espaço para todos, onde cada um é único, mas, ao mesmo tempo, é complemento do outro.

Considerando o exposto acima, há necessidade urgente de mudar algumas atitudes em relação a nós mesmos, aos outros e ao mundo que nos cerca.

Primeiramente, em relação às nossas atitudes, não se pode ignorar os que convivem conosco, sejam próximos ou distantes. É necessário respeitar e compreender suas fragilidades e qualidades e criar empatias apesar das diferenças (naturalmente cada um é um indivíduo único e diferente de todos os outros). Por isso, é preciso encarar a diferença como uma qualidade e não como um defeito.

Já em relação às atitudes com outros, as pessoas precisam mudar a concepção de que o outro é “pedra de tropeço” e seus “defeitos” (diferença não é defeito) o desqualificam como ser humano normal, (“normal” sou eu). O diferente faz a humanidade mais ampla, qualificada e bonita, são as diferenças que nos fazem evoluir, as igualdades já estão em cada um de nós.

Em terceiro lugar, estão as atitudes em relação ao meio, ou seja, o mundo que nos cerca. Não é um espaço exclusivo, individual, mas sim onde pode-se interagir, mudar, transformar, mas jamais destruir ou agredir para interferir na sua essência, que garante a sobrevivência e sustenta as relações.

O que se aprende ao longo do tempo especialmente no que diz respeito aos valores perenes: respeito, honestidade, verdade, justiça, responsabilidade, seriedade, legitimidade, solidariedade e tantos outros não foram superados ou se tornaram obsoletos. Ao contrário, nos ajudaram a formar personalidade e caráter, talvez a roupagem de alguns tenha mudado, assim como a forma de reconhecê-los e interpretá-los. É preciso evoluir também na compreensão contextualizada do mundo atual.

A tecnologia não pode ser anti-humanização e muito menos provocar o caos ou a destruição, precisa-se urgentemente repensar o futuro da humanidade, sob a pena de sucumbir à própria evolução. Como fazer isso? Se a resposta fosse simples, já teria surgido. O que está ao nosso alcance? Como contribuir para melhorar esse cenário?

Algumas dicas: cultivar o bom senso; viver cada dia como se fosse o último; gostar das coisas e amar as pessoas; partilhar experiências; respeitar as dificuldades dos semelhantes e ajudá-los a superá-las; desejar bom dia, boa tarde ou boa noite para quem você encontrar pelo caminho; ser ombro amigo dos que padecem de algum infortúnio; rir com os que riem e chorar com os que choram; ter empatia e solidariedade; perdoar sempre; nunca ofender; ser humilde sem ser tolo; acolher a pessoa em sua dignidade; jamais aceitar o erro ou a mentira como certo e verdadeiro; ser honesto consigo mesmo e com os outros. Amar sem preconceitos.

Referências

LACERDA, Milton Paulo. Paciência ter ou não ter, psicologia dos momentos conturbados.  Petrópolis, Ed. Vozes, 1996.

MALDONADO, Maria Tereza.  Comunicação entre pais e filhos: a linguagem do sentir. Petrópolis, Ed. Vozes, 1981.

MICHALISZYN, Mario Sergio. Educação e diversidade, Curitiba, Intersaberes, 2012

RYAN, M. J. (trad de Sonia Maria Moitre Schwarts).O poder da paciência. Rio de Janeiro, Sextante, 2006.

Maria de Fátima e Idovino Baldissera – Associados EPB Videira/SC e Casal Representante Nacional. E-mail: idovino@infopasa.com.br

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