Como sabemos, quando nasce um bebê, nasce uma mãe e também um pai. Este momento torna-se o mais importante e sublime para a mulher que recebe nos seus braços aquele ser esperado por toda a família. Sim, porque a família se envolve e aprecia a chegada daquele que trará o cheirinho de “casa nova”, mesmo quando a vida prega surpresas inesperadas ou já previstas. Para o pai, também é um momento de glória e alegria e ele precisa participar, se virando como pode.
Se o bebê for o primeiro do casal a vida muda por completo. Os dias e noites jamais serão os mesmos. Tudo passa a girar na casa em torno daquele ser tão delicado e dependente. São várias demandas e as pessoas envolvidas precisam se revezar para darem conta do trabalho, que nasce junto com ele. Mas o maior trabalho é o da mãe, que precisa cuidar e amamentar, tarefa que não é fácil e, na maioria das vezes, bastante dolorosa, porém crucial para a saúde e o seu desenvolvimento.
O pai, entretanto, precisa continuar trabalhando para sustentar a despesa que aumenta consideravelmente com a compra de fraldas, leite, medicamentos e acessórios tanto para o bebê, como para a mãe.
Não podemos romantizar a maternidade, pois sabemos como as noites do casal ou cuidadores são mal dormidas, acordando para atender o choro do bebê, indicando que precisa ser alimentado. E aí é onde, muitas vezes, entra a ajuda do pai, trocando fraldas na madrugada, ficando com o bebe enquanto a mãe dorme, para aliviar um pouco o trabalho incessante da mãe, pela dedicação e zelo pelo seu bebê.
Quando esse bebê chega e já existe um irmão ou irmã, a vida torna-se mais complicada. É que além de dar atenção ao primogênito(a) e fazê-lo entender que alguém chegou para dividir o seu lugar, a mãe tem que prepará-lo antes do nascimento do segundo, para esse ser recebido com alegria e parceria pelo primeiro(a).
O lar que recebe um bebê tem um ar angelical e divino, de muito amor envolvido. Tem cheiro de lavanda, de roupa lavada, tem pele de pêssego e sorriso atravessado, olhar vago e caras e bocas caricaturadas.
Mas também tem aprendizado, preocupação e cansaço. Tem fralda cheia de xixi e cocô, tem golfada, vacinas, choro incerto, doenças e visitas ao pediatra.
A casa que recebe um bebê se modifica e parece que ali a paz faz morada. Pelo menos foi isso que eu senti no nascimento de cada um dos meus três filhos. E como passa rápido… a gente olha para trás e já não os enxerga como pequeninos seres indefesos e sim como mulheres e homens capazes de se cuidarem e cuidarem de outros seres.
Como é interessante ver uma criança nascer e atravessar as fases da infância ao lado dos seus pais ou responsáveis, recebendo amor e cuidados necessários ao seu crescimento físico e emocional e se preparando para as fases que virão.
Sabemos que é na infância que se molda o ser humano adulto que um dia seremos. É da infância que guardamos os traumas e os medos das pessoas e coisas, os gostos, cheiros e as imagens do ambiente em que crescemos. Por isso, é tão importante termos pessoas de bom coração cuidando, ensinando e principalmente nos respeitando, para que possamos replicar esses valores na nossa vida futura.
Porém, aqui falamos de lares equilibrados e de pais responsáveis, mas sabemos o quanto é doloroso e cruel quando nos deparamos com famílias sem estrutura e sem condições financeiras e emocionais de criarem seus filhos, mesmo tendo muito amor por eles. E é esse amor que os une e cura e os faz fortes e resilientes para seguirem adiante mostrando que é possível fazer homens e mulheres de bem, mesmo nas dificuldades.
Rosilda Xavier – Mãe e avó de três, casada há 43 anos com Marcos Medeiros, escritora e empresária da JM Gráfica, membro da EPB desde 2009, que ama ajudar o próximo e viver com alegria, junto aos familiares e amigos.
Publicado na 47 Revista da Escola de Pais do Brasil Seccional de Salvador, p. 9-12.
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