A publicação do livro “Battle Hymm of the Tiger Mother” (Hino de Batalha da Mãe Tigre) por uma filha de imigrantes extremamente autoritária e exigente na criação de seus filhos, tornou conhecida a expressão “mãe tigre”. O livro tornou-se polêmico quase imediatamente. A autora, professora de direito, filha de imigrantes chineses, narrou sua trajetória como mãe e detalhou situações do dia a dia. Até aí, nada de assustador. Entretanto, alguns relatos impressionam. Se uma das filhas errasse, era chamada de “lixo”. Se as lições de piano não fossem perfeitamente executadas, a mãe ameaçava dizendo que queimaria todos os bichos de pelúcia. Atividade extra? Só se as filhas prometessem tirar medalha de ouro. Caso contrário, nem pensar! Em matemática, eram obrigadas a estar dois anos na frente de seus colegas. Além disso, as proibições, regras e limites eram frequentes. Disciplina excessiva! Essa mãe, autora do livro critica a maneira ocidental de criar filhos dizendo que somos muito permissivos e não exploramos o potencial deles. Em parte ela tem razão. A educação brasileira se assemelha à americana em muitos aspectos, então valem as reflexões apontadas pela obra.
Mas afinal, o que é certo e o que é errado na criação dos filhos?
Há inúmeras pesquisas científicas de psicólogos e educadores de renome apontando o melhor perfil na hora de educar as crianças. E vale lembrar que a “mãe tigre” não é psicóloga nem educadora, tampouco pesquisadora. Trata-se de uma especialista em direito e professora de adultos. E, por acaso, por instinto e por experiência, mãe.
Para não ficar teorizando aqui, vejamos os três perfis mais “problemáticos” segundo algumas pesquisas, incluindo as americanas cuja sociedade se parece com a nossa: capitalista, consumista e bajuladora dos filhos (em geral).
Perfil autoritário – Pouca ênfase no carinho e acolhimento, mas excesso de regras, limites e broncas pelos erros cometidos. Este perfil atrapalha o desenvolvimento da autoestima e da personalidade das crianças. O maior índice de suicídio entre crianças e adolescentes está aqui. Esse perfil é o que mais se aproxima ao perfil “Mãe tigre”.
Perfil superprotetor – Excesso de carinho, acolhimento e permissividade. Poucas regras e limites e quando a criança não obedece, quase não há consequências. Esse perfil não desenvolve a autonomia das crianças fazendo-as frágeis emocionalmente e dependentes de alguém que oriente e diga o que fazer em cada situação. Quando adultos, têm dificuldades em aceitar novos projetos e medo de tomar iniciativas. Esse perfil é o que mais se aproxima ao “Mãe coruja”.
Perfil negligente, ou permissivo (a maioria dos pais ocidentais) – é o pior perfil de educador. Há pouco carinho e acolhimento e poucos limites e regras. A criança “manda” e acaba não desenvolvendo autonomia, tem baixa autoestima e não resiste às frustrações da vida. Baixa tolerância à frustração.
Esses três perfis trazem problemas para o desenvolvimento da personalidade das crianças. Mas então, o que fazer? O melhor é assumir o quarto perfil, denominado “participativo” no qual os pais equilibram muito bem as exigências e as obrigações com o estar junto, brincar, ouvir, conversar, incentivar e, principalmente, construir um bom vínculo com os filhos. É o equilíbrio entre afeto e autoridade. Pais participativos têm filhos felizes e realizados como seres humanos. Se a “mãe tigre” tem perfil autoritário, erra. Se a “mãe coruja”, comum no Brasil, que tem a tendência de superproteger aceitando como “lindo” qualquer resultado de seus filhos, também erra. O ideal é o equilíbrio: ser participativo. É científico, real, de muito bom senso e ideal para crianças emocionalmente saudáveis!
Concluindo, nem mãe tigre nem mãe coruja. O ideal é ser mãe participativa. (Todas essas reflexões, obviamente, valem para a figura paterna).
E nossos adolescentes? Bem, se forem criados de forma adequada darão muito menos problemas, a convivência será muito mais agradável. E há um segredo para isso: o segredo da floresta sagrada dos macacos.
Os macacos da ilha de Bali, na Indonésia, têm conquistado fama pela sua astúcia e habilidade em sequestros inusitados de objetos, como óculos e celulares dos turistas. Esse comportamento peculiar é frequentemente observado nos templos e áreas turísticas onde esses macacos interagem com os visitantes.
Esses macacos, conhecidos como macacos-de-cauda-longa (Macaca fascicularis), são animais inteligentes e curiosos, e estão acostumados com a presença humana nas áreas em que vivem. Ao longo do tempo, eles aprenderam a reconhecer os objetos que os turistas carregam consigo e descobriram que podem obter algum benefício ao se apropriar deles, ou seja, aprenderam a sequestrar celulares e óculos.
Um dos principais motivos para esses macacos sequestrarem esses objetos é a troca por alimentos. Os turistas costumam oferecer comida aos macacos como forma de interação ou para tirar fotos. Os macacos perceberam que, ao roubar os pertences dos visitantes, podem utilizar esses objetos como moeda de troca por recompensas alimentares. Eles se aproximam sorrateiramente e, num ato rápido, retiram os óculos ou celulares das mãos dos turistas, para depois oferecê-los em troca de comida.
Bem, por que os macacos desrespeitam as pessoas sequestrando seus objetos? Por que eles consideram os seres humanos inferiores a eles? A explicação é simples: entre os primatas (também se observa isso em outros grupos sociais de animais) o chefe, o macaco alfa, deve ser alimentado primeiro para só então os macacos “servos” poderem comer. Quando os humanos chegaram à ilha e deram comida aos macacos, estes imediatamente perceberam que os humanos são “servos”, “escravos”, já que lhes davam de comer. Portanto essa percepção de que aquele que serve, que alimenta, que fornece ao outro o que ele precisa, traz a noção de que o servido é o chefe e que os que servem são escravos.
Você serve seu filho adolescente? Ele ganha comida, celular, internet, escola de qualidade, roupas etc e não precisa retribuir de nenhuma forma? Cuidado! Você pode estar criando nele a falsa imagem de que ele é importante e que você é “escrava, escravo”. E logo começará a lhe desrespeitar. Fuja dessa relação desigual. Seu filho precisa aprender a fazer tarefas domésticas, a ajudar no funcionamento da casa, para só então poder descansar ou fazer o que quer. Respeite-se para jamais ser desrespeitado por seus filhos. E o autorrespeito significa não fazer tudo para o outro, mas começar amando-se para poder amar.
Marcos Meier é mestre em Educação, formado em Matemática e Psicologia. Seu último lançamento é o best-seller “Estão mentindo pra você – pare de acreditar nos discursos de super heróis fakes e descubra as vantagens de ser normal” da editora Fundamento. E-mail: marcosmeier@gmail.com
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