Os filhos nascem – bebês fofinhos e lindos.
E vão crescendo, crescendo…e reconhecendo o mundo e os afetos ao seu redor.
Chega, então, a fase da MENINICE, marcada por uma série de descobertas, aprendizados e um intenso desenvolvimento físico, emocional e cognitivo. É o período da curiosidade, da criatividade e da energia inesgotável, o que explica por que brincar é a atividade principal.
À medida que exploram o mundo, a lista de dúvidas e descobertas só aumenta; é uma fase divertida, mas também repleta de desafios.
Elas começam a enfrentar questões complexas: aprender a lidar com as próprias emoções, resolver conflitos e desenvolver sua identidade. Nesse momento, a presença atenta dos cuidadores é fundamental para oferecer suporte e orientação, criando a base para um crescimento saudável e feliz.
SOCIALIZAÇÃO E CONVIVÊNCIA
Nesta fase, a socialização ocorre de forma espontânea e empática. Os laços de amizade se fortalecem, proporcionando uma sensação de pertencimento e servindo como um exercício prático de habilidades sociais. Amizades que podem durar por toda a vida. Contudo, nem tudo são flores: surgirão amigos de difícil convivência e mal-humorados. É essencial que os pais estejam atentos a sinais de bullying.
MUDANÇAS COMPORTAMENTAIS
É comum que as crianças queiram agradar aos adultos de referência, desenvolvendo a capacidade de se colocar no lugar do outro. Ao mesmo tempo, surge um novo sentimento de constrangimento e pudor. Além disso, elas passam a ter maior consciência sobre o mundo, e notícias e tragédias ou desastres podem despertar ansiedade e medo. Por outro lado, a linguagem e o vocabulário se expandem, permitindo diálogos mais longos e o entendimento de instruções complexas.
“GÊNIO FORTE” OU DESOBEDIÊNCIA?
Devemos evitar rótulos. Classificar uma criança como alguém de “gênio forte” pode fazer com que ela adote esse comportamento como um padrão, limitando seu desenvolvimento. Na verdade, a teimosia é, muitas vezes, apenas uma forma de testar limites e afirmar sua independência. Ela também pode ser um sinal de que a criança ainda não sabe lidar com emoções intensas, como a raiva ou a frustração.
Quando a desobediência se torna frequente, gritar ou impor castigos severos raramente resolve a longo prazo. O ideal é adotar estratégias respeitosas e firmes. Em vez de impor uma decisão, ofereça duas opções dentro do que é permitido. Isso dá à criança autonomia e colaboração.
DICAS PARA UMA CONVIVÊNCIA HARMONIOSA:
1 – Explique a importância de obedecer
A obediência não deve ser baseada no medo ou em ameaças. Demonstre à criança a importância das regras: horários e limites garantem seu bem-estar, como uma boa alimentação e noite de sono.
2 – Pratique a escuta ativa
Muitas vezes, a criança não consegue verbalizar bem o que sente e reage de forma intempestiva. Antes de corrigir, escute o que ela tem a dizer sem julgamentos. O diálogo fortalece a confiança e facilita o entendimento das regras.
3 – Mantenha a calma e dê o exemplo
Crianças aprendem pelo exemplo. Se os pais reagem com explosões de raiva diante dos desafios, os pequenos podem imitar esse comportamento.
4 – Reforce comportamentos positivos
Valorize quando a criança toma boas decisões. Se ela obedeceu a uma regra sem resistência, elogie e mostre que essa atitude contribui para um ambiente mais harmonioso.
5 – Estabeleça limites com firmeza e empatia
Toda criança precisa de limites claros, mas eles devem ser apresentados de forma respeitosa. Em vez de dizer apenas “não pode!”, explique o motivo por trás da regra e, se possível, ofereça alternativas. Exemplo: “Você não pode brincar agora, mas depois do jantar teremos um tempo juntos para isso”.
6 – Mostre as consequências naturais das ações
Evite castigos severos e aposte nas consequências naturais: se a criança se recusa a guardar os brinquedos, explique que pode perdê-los ou que a brincadeira ficará menos divertida em um ambiente bagunçado ou faltando partes dos jogos. Isso ajuda a desenvolver sua noção de responsabilidade.
7 – Busque ajuda profissional, se necessário
Se o comportamento desobediente persiste e afeta o bem-estar da família, pode ser necessário procurar um psicólogo infantil. Alguns comportamentos podem ser reações emocionais que precisam ser trabalhadas com um profissional.
Jane Cezimbra – Engenheira Civil. Junto com Reinaldo é Casal Presidente da EPB Salvador. O casal faz parte da EPB desde 1989.
Publicado na 47 Revista da Escola de Pais do Brasil Seccional de Salvador, p. 16-19.
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