Nova pesquisa revela uso surpreendente (e preocupante) da inteligência artificial entre crianças e adolescentes brasileiros — 39% estão buscando companhia e apoio emocional. Isso indica que, mais do que uma tecnologia útil, a IA tem sido vista por muitos jovens como uma fonte de acolhimento e escuta
Em tempos de avanços tecnológicos rápidos, uma descoberta recente convida pais e mães a refletirem: 39% das crianças e adolescentes brasileiros usam inteligência artificial em busca de companhia. O dado impactante faz parte do relatório “The AI Generation: How kids and teens are using AI tools” (A Geração IA: Como crianças e adolescentes estão usando ferramentas de IA), divulgado no fim de julho pela empresa de cibersegurança Gen.
Como preparar as crianças para usar inteligência artificial? Especialista explica!
A pesquisa foi conduzida de forma online no Brasil pela Dynata, entre 30 de abril e 8 de maio de 2025, com 1.001 adultos com 18 anos ou mais. Os dados foram ponderados por idade, sexo e região para garantir representatividade nacional. No relatório, o termo “pais” refere-se a adultos com filhos menores de 18 anos.
Segundo o levantamento, 67% dos pais brasileiros afirmaram que seus filhos usam o ChatGPT, que aparece como a ferramenta de inteligência artificial mais popular entre crianças e adolescentes. E esse uso, na visão da maioria, tem pontos positivos: 64% dos pais acreditam que a IA pode ser benéfica para o aprendizado e a criatividade dos filhos.
Ainda assim, 33% dos pais brasileiros disseram não ter certeza se a IA realmente traz vantagens para o desenvolvimento infantil. Essa incerteza escancara uma desconexão crescente: enquanto os filhos já interagem com essas ferramentas no dia a dia, muitos adultos ainda não sabem bem como lidar com elas.
Mas é o dado emocional que mais chama atenção: 39% dos menores estão recorrendo à IA em busca de companhia. Isso indica que, mais do que uma tecnologia útil, a IA tem sido vista por muitos jovens como uma fonte de acolhimento e escuta — um espaço onde podem falar sem serem interrompidos, julgados ou ignorados.
“À medida que os estudantes crescem em um mundo digital, os sistemas educacionais precisam capacitá-los com habilidades para se tornarem familiarizados com a tecnologia e resilientes no ambiente cibernético. Ao promover a alfabetização digital, capacitamos os alunos não apenas a usar a tecnologia de forma eficaz, mas também a se destacarem em suas vidas acadêmica, pessoal e profissional”, diz Catherine Dunlop, Vice-Presidente Sênior de Parcerias Corporativas da Discovery Education.
Companheira ou substituta?
Ferramentas como o ChatGPT funcionam 24 horas por dia, respondem com paciência infinita, usam linguagem acessível e, acima de tudo, estão sempre disponíveis. Para uma criança solitária ou com dificuldade de se expressar, essa “presença” pode se tornar quase terapêutica — ou até viciante. Nesse contexto, a pergunta que fica para os pais é direta: se seu filho está buscando companhia na IA, de quem ele sente falta na vida real? Como transformar esse dado em ação?
O Relatório Connected Kids destaca que, à medida que as crianças interagem com a tecnologia cada vez mais cedo e com mais frequência, é essencial que os pais se mantenham proativos, informados e envolvidos. Segundo a Norton, proibir não é o caminho. Demonizar tecnologia, menos ainda. A solução pode estar em criar espaços seguros de conversa, cultivar escuta ativa e estar emocionalmente disponível. E, nesse caso, algumas atitudes que podem fazer diferença:
1. Tenha conversas desde cedo
Não espere até que haja um problema — converse com seus filhos sobre comportamento online, segurança e gentileza desde o momento em que eles começarem a usar dispositivos.
2. Use ferramentas de controle parental com propósito
Aproveite as configurações integradas do dispositivo e ferramentas confiáveis de controle parental para definir limites de tempo de tela, bloquear conteúdo impróprio e monitorar atividades online. Soluções da Norton, como o Norton Family com recursos como o School Time, podem ajudar os pais a criar limites digitais saudáveis.
3. Ensine as crianças a reconhecer os sinais de alerta
Ajude as crianças a entender os sinais de cyberbullying, golpes, manipulação de IA ou comportamento predatório e capacite-as a falar se algo parecer estranho.
4. Modele o uso saudável da tecnologia
As crianças reproduzem o comportamento dos adultos. Dê um exemplo positivo deixando os dispositivos de lado durante o tempo em família, gerenciando seu próprio uso de telas e mostrando como interagir online de forma responsável.
5. Mantenha-se envolvido, mantenha-se curioso
Converse regularmente com seu filho sobre o que ele está fazendo online. Faça perguntas, explorem aplicativos juntos e continuem aprendendo sobre novas tendências – sejam chatbots de IA ou as plataformas mais recentes de plataformas de redes sociais.
A inteligência artificial veio para ficar, mas nada — nem mesmo a mais avançada das tecnologias — substitui o vínculo humano. No fim, talvez o dado mais importante da pesquisa não seja sobre a IA em si, mas sobre o que as crianças estão tentando nos dizer ao recorrer a ela.
Sabrina Ongaratto – Publicado no site revistacrescer
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