Convívio entre irmãos

O tema pode ser interpretado sob a ótica bíblica, onde se entende que todos nós somos filhos de Deus e irmãos em Cristo Jesus. Partindo desse princípio, devemos amar uns aos outros como o próprio Cristo nos ama.

Vamos focar na família, nos irmãos de sangue.

Retornando no tempo, vemos, por diversas vezes, esse amor sendo posto à prova desde priscas eras, quando, no livro de Gênesis, por ciúmes, um irmão dá fim à vida do outro.

Ora, os pais almejam um lar harmônico e perfeito, onde reinem o amor, o perdão, a empatia e a cumplicidade. Educamos nossos filhos para serem respeitosos com os demais, e esse respeito deve começar no lar, tanto no relacionamento com os pais quanto entre irmãos.

Na minha observação, noto um amor nato, que surge desde o nascimento do primeiro irmão, quando o primogênito assume o papel de protetor, muitas vezes parecendo que ganhou um brinquedo novo. Essa fase evolui para um sentimento em que o ciúme e o senso de proteção se intercalam. Nessa hora, é importante a intervenção dos pais ou educadores para que a criança mais velha se sinta amada e valorizada.

Por outro lado, a criança mais nova tende a ter o irmão mais velho como um ídolo, alguém a ser imitado, uma pessoa que admira.

Por diversas vezes, ouvi relatos de pessoas próximas, pertencentes a famílias numerosas, em que irmãos mais velhos assumem, junto com os pais — ou até mesmo sem eles —, a criação e a educação dos irmãos menores. Ouvi alguns desses irmãos menores dirigindo-se ao irmão mais velho como se fosse seu próprio pai ou sua própria mãe.

A verdade é que cada ser é único. Sendo assim, cada família possui suas próprias particularidades, muitas vezes influenciadas pela educação recebida dos antepassados, pelas condições do ambiente e pelas interações do meio em que se vive.

É importante o papel da família e da escola   na orientação das crianças e adolescentes, para que sejam trabalhados desde a infância e, na fase adulta, esse carinho e atenção recebidos sejam o alicerce para a construção e manutenção de verdadeiros laços fraternos.

Com o passar do tempo, tendo as crianças vivido juntas cada momento, espera-se que os irmãos se tornem grandes amigos. Eu não tenho irmãos de sangue, mas a vida me presenteou com irmãos de coração.

Maria Auxiliadora Torres Vilas Boas – Casada com Jaziel. Mãe de Otacílio e Indaíra. Avó de Nicholas e ThomasPublicado na 47 Revista da Escola de Pais do Brasil Seccional de Salvador, p. 46-47.

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