ACOLHIDA DOS “NOVOS” NA FAMÍL IA: noras, genros e netos

Quando nossos filhos constituem suas famílias, criamos laços de cumplicidade e de afetos pelas afinidades que vão se estabelecendo.

Na essência, somos todos parecidos.

Precisamos chegar ao outro – nos identificar com ele, nos aprimorar e alegrar com ele. E amá-lo.

O elo familiar nos dá força, vida e sentido.

Viver em harmonia com todos os membros da família deve ser prioridade máxima.

Ninguém duvida de que o maior desejo de um pai ou uma mãe é que seus filhos sejam felizes, mesmo que tenham escolhido uma vida diferente daquela que os mesmos pais desejariam. Assim, quando os filhos se casam, a atitude paterna e materna mais adequada deve ser de acompanhamento, de apoio e não de críticas ou comentários destrutivos que podem perturbar a harmonia da nova família.

O que deve prevalecer na relação entre sogros, noras e genros é o respeito à autonomia do casal. Os cônjuges é que devem ser responsáveis pelas decisões sobre o modo de vida familiar e criação dos filhos.

Então a organização familiar se modificou. As relações entre sogra/sogro e nora/genro também tendem a se transformar em um convívio mais ameno, com as eventuais dificuldades que toda relação interpessoal possa apresentar.

Amador Pereira, psicoterapeuta da PUC, afirma que, hoje em dia, muitas sogras, na faixa dos 50 a 60 anos, fazem parte das primeiras gerações de mulheres que conquistaram o mercado de trabalho. Elas são profissionais ativas, com seus próprios interesses, sem disponibilidade para tomarem conta da vida de filhos adultos. Essa condição, de certa maneira, as aproxima mais da realidade da nora, diminuindo conflitos comuns entre gerações.

O próprio psicoterapeuta Amador Pereira diz, também, que ninguém é santo…

Todo relacionamento é uma via de mão dupla. Ou seja: assim como existem sogras mandonas, também aparece a nora implicante e o genro folgado. Ambos também precisam aprender a descobrir seus limites e respeitar as regras dos sogros, ainda que nem sempre concordem com elas.

De uma maneira instintiva, defendemos com mais intensidade as pessoas com quem compartilhamos um maior número de genes. Por isso, temos uma relação mais intensa com filhos e netos.

Por falar em neto – é uma forma especial de amar.

Os avós devem ajudar a reviver as memórias da família com histórias que promoverão o desenvolvimento social e intelectual das crianças.

 A psicóloga Adriana Mikaelian dos Santos, do CAIS – Centro de Atenção Integral à Saúde do Grupo São Cristóvão, em São Paulo, tem uma bela frase sobre a relação entre avós e netos.

Ela diz: “É uma relação rodeada de emoção e afeto e mesmo sendo dois extremos da família, avós e netos têm a oportunidade de compartilhar saberes e ensinamentos que perduram por toda a vida”.

DICAS PARA UMA BOA ACOLHIDA DOS “NOVOS” NUMA FAMÍLIA:

Não faça julgamentos precipitados

Evite formar uma ideia negativa sobre a pessoa que o seu filho ou filha escolheu para compartilhar a vida. Se a conhecer melhor, certamente encontrará qualidades e interesses comuns com ela. Sempre tente ver o que há de bom em cada um, especialmente naqueles que agora fazem parte da família.

Crie um ambiente cordial

Atividades com o genro e nora são boas oportunidades para conhecê-los melhor e trabalhar por um relacionamento mais saudável. Promova passeios, almoços e jantares sempre que possível.

Não se intrometa

Lembre-se de que os problemas do casal devem ser resolvidos apenas pelos cônjuges. Não tente ajudá-los a solucionar o problema, a menos que eles peçam.  E nunca coloque seu filho contra o cônjuge. Deixe que eles tomem as decisões.

Evite pedir atenção demais

Depois de casar, a prioridade do filho passa a ser o cônjuge. Não tente mudar isso querendo que seu filho lhe dê atenção a todo momento, como se ainda fosse solteiro, ou fazendo-o sentir-se mal por não estar mais 24 horas ao seu lado.

Nada de palpites sobre tudo

Muitas vezes com a intenção de ajudar, sogros e sogras aconselham seus genros e noras sobre como tratar o cônjuge, educar os filhos, cuidar da casa etc. Isso pode criar atritos sérios. O melhor é esperar que eles peçam sua opinião.

Ajude nas coisas práticas

Se você sentir que sua nora pode precisar de ajuda prática em determinadas situações familiares, como organizar uma festa, quando estiver doente ou saindo de um parto recente, ofereça sua contribuição de forma sincera, mas não impositiva. Independentemente da resposta que receber, sinta-se feliz por poder oferecer ajuda.

Evite críticas e comparações

Com certeza você tem mais experiência e sabe muito mais que sua nora ou genro em diversos assuntos, mas não é necessário lembrar isso a todo momento, muito menos em público. Ao contrário, elogie as ações deles. Se sua nora, por exemplo, fizer um bolo de chocolate de que seu filho gosta, elogie-a, mesmo que o bolo não tenha ficado igual ao seu.

Sem fofocas

Caso descubra que sua nora ou genro fez algo que não devia, evite contar diretamente ao seu filho ou filha, pois isso pode criar uma situação desagradável. No máximo – e isso se sua nora pedir sua opinião – aconselhe-a a falar com o marido. Caso contrário, espere que seu filho se dê conta do que aconteceu e decida o que fazer.

No nosso universo familiar podemos e devemos identificar o que está ecoando dos nossos antepassados para utilizarmos melhor a compreensão, o perdão, o reconhecimento, a gratidão e o amor.

Muitos podem olhar para a mesma direção, mas ninguém vê e sente a mesma coisa que o outro porque somos singulares em nossa evolução.

Cada ser é único e o respeito à visão, ao sentimento e ao tempo do outro é fundamental para uma convivência saudável e harmoniosa.

REFERÊNCIAS

– Anais do 45º Congresso Nacional da Escola de Pais do Brasil Pais e filhos: prevenir ou remediar? – 2008.

– Anais do 48º Congresso Nacional da Escola de Pais do Brasil A família administrando seus desafios – 2011.

– uol.com.br

– cangurunews.com.br

Publicado na Revista Escola de Pais do Brasil – Seccional de Salvador | Revista nº 41 – 2020/2021, p. 26-27.

A autora Jane Ferraz Campos Cezimbra – tem 2 filhos, 2 noras e 2 netos. É Engenheira Civil. Junto com Reinaldo Almeida Cezimbra, é o Casal Diretor Financeiro e Patrimonial da Diretoria Executiva Nacional (DEN). O casal faz parte da EPB desde 1989.

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