TRABALHO VOLUNTÁRIO

Vamos nos valer de um recurso analógico para embasarmos o raciocínio, que vai justificar nossa ótica sobre trabalho voluntário. Quem da nossa geração não lembra dos primórdios de nossas vidas, quando ainda tirávamos água do poço? Água pura, fresquinha. E como era feito o poço? Escolhido o local, iniciava-se a escavação, e à medida que a profundidade aumentava, na mesma proporção aumentavam as dificuldades. No início, só terra, para em seguida surgirem cascalhos. E quando, finalmente a rocha era encontrada, das bordas da escavação brotava um filete de água. Era necessário, então, criar um espaço para que a água pura surgisse. Após todo o esforço de dias de trabalho árduo, servíamo-nos à vontade, saciávamos a sede, usávamos no preparo de alimento, para higiene pessoal, enfim, para todo o necessário. Ao analisarmos esse contexto, podemos concluir que a água doava-se para se renovar e caso deixasse de ser utilizada, ficava com o tempo, imprópria para o consumo.

Assim é o voluntariado, que ao doar o amor incondicional, oportuniza a prática do altruísmo.

Só pode doar aquele que tem, e o axioma que não dá margens a contestações é de que, tudo que plantamos, colhemos; por isso, ao praticarmos o bem, os benefícios também recairão sobre nós. “Fica sempre um pouco de perfume, nas mãos que oferecem rosas.”

É preciso estarmos conscientes do poder que temos de transformar a vida à nossa volta e que somos capazes de promover essa transformação, através de simples gestos, palavras, atitudes, ações, às pessoas com quem interagimos diretamente, ou mesmo às que por sua vez serão indiretamente atingidas.

Sabemos que com ações individuais não poderemos mudar o mundo, mas podemos sim, tocar as vidas que tocam as nossas vidas, de maneira que se faça alguma diferença para melhor, esparzindo as benesses gota a gota, formando paulatinamente uma “corrente do bem”.

Nós, seres humanos temos diversas habilidades, conhecimentos, talentos e criatividade, por que, então, não aproveitar tudo isso e darmos um pouquinho de nossa boa vontade a uma entidade com fins sociais, firmando comprometimentos que certamente ocasionarão melhorias na qualidade de vida ao nosso redor?

Esse trabalho, porém, precisa estar embasado num objetivo claro e definido, revisto a cada instante, para que assim possa se renovar, reforçar, manter-se e ter continuidade.

De qualquer movimento voluntário, só participa quem tiver disponibilidade, quem quiser participar. Mas uma vez que se entra em uma organização de voluntariado, precisamos nos dedicar, como nos dedicamos eficazmente à nossa profissão, assumindo compromissos, cumprindo as normas estabelecidas e participando ativamente das ações desenvolvidas.

Se por acaso, em alguns momentos, conseguirmos fazer uma revolução social, em outros, podemos oferecer apenas um sorriso, mas nunca optarmos pela omissão.

Quando acreditamos com o coração naquilo que nos propomos a fazer pelo outro e entendemos que cada movimento social ajuda a melhorar a vida de muitas pessoas, não existe cansaço, indisposição ou dúvida de que o caminho que escolhemos nos leva a desafios, que nos fazem acreditar e termos convicção de que estamos no caminho certo. Assim, qualquer obstáculo transforma-se em incentivo para seguirmos em frente, pois o que se apresenta para nós é exatamente aquilo que precisamos para nossa evolução, para que nos tornemos seres humanos melhores.

Há uma poesia de Cora Coralina (1889-1985) que diz:

Não sei…

Se a vida é curta ou longa demais para nós.

Mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:

Colo que acolhe,

Braço que envolve,

Palavra que conforta,

Silêncio que respeita,

Alegria que contagia,

Lágrima que corre,

Olhar que sacia,

Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo:

É o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais,

Mas que seja intensa, verdadeira e pura…

enquanto durar.

 Referência

REMEN, Rachel Naomi. As bênçãos do meu avô. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2001.

Publicado na Revista de set. 2010 da Escola de Pais do Brasil – Seccionais de Joaçaba/Herval d’Oeste, Videira e Campos Novos.

Antônia e Fernando Farias

Membros da Escola de Pais – Seccional de Videira SC

Be the first to comment

Leave a Reply

Seu e-mail não será publicado.


*