Obesidade na infância e adolescência

Obesidade na infância e adolescência é o problema nutricional que mais cresce no mundo, e é o maior fator de risco para obesidade no adulto.
É por definição, um acúmulo excessivo e generalizado de gordura em subcutâneo e em outros tecidos durante o período de crescimento e desenvolvimento.
A prevalência da obesidade tem aumentado de forma assustadora. Desde 1960 há um aumento progressivo da sua prevalência em diversas populações do mundo. Nos EUA, 15 a 25% das crianças adolescentes são obesas. Atualmente no Brasil, 51% da população geral está acima do peso, 19,4% das crianças está com sobrepeso, e 5% das crianças tem obesidade (IBGE-2009).
As comorbidades frequentemente associadas à obesidade são as doenças cardiovasculares, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia, diabetes mellitus tipo 2 (resistência insulínica), problemas ortopédicos, dermatológicos, doenças respiratórias, puberdade precoce, distúrbios psicológicos, discriminação social. No Brasil, estima-se um gasto de 1,5 bilhão de reais por ano com esta população, sendo considerado um grande problema de saúde pública.
Etiologia da Obesidade
Esta é complexa e resulta da interação entre genes, ambiente e estilo de vida. É poligênica e as síndromes genéticas e as alterações endócrinas são responsáveis por menos de 10% dos casos.
Há um complexo mecanismo mediado por neurotransmissores, que participam do estímulo fome-saciedade, envolvidos na etiologia da obesidade. Dentre os fatores ambientais, podemos citar o comportamento alimentar, a atividade física, os hábitos pessoais e culturais de cada criança. A alimentação inadequada e o sedentarismo são os grandes vilões desta nossa rotina atual.
A hereditariedade é um importante fator de risco para a obesidade. Se ambos os pais são obesos há 80% de chance de ser obeso, se um só é obeso, 50%, e pais magros, 9%. Se observa um maior ganho de peso durante o primeiro ano de vida da criança, entre 5 e 6 anos de idade e na adolescência. Há um maior risco de obesidade na vida adulta relacionado a idade em que se observa este aumento de peso na infância e adolescência: 40% das crianças obesas serão adolescentes obesos e 75% a 80% adolescentes obesos serão adultos obesos.
Obesidade é uma doença crônica de difícil tratamento, portanto, a grande arma é a prevenção. A intervenção deve ser feita em qualquer idade em que se faça o diagnóstico. O método mais utilizado para para avaliar se a criança está obesa é o Índice de Massa Corpórea (IMC) e correlaciona o peso (kg) ao quadrado da altura (m). Simples de obter, descarta a influência da altura no peso e se correlaciona a adiposidade.
Na abordagem da criança e do adolescente, são importantes uma anamnese e um exame físico minuciosos, com rotina detalhada e exames laboratoriais, e em seguida, um plano terapêutico.

Tratamento
– Deve ser iniciado em crianças orientadas e motivadas a fazer as mudanças de hábitos.
– Atuar junto à criança e família responsável (individual e familiar) com equipe multidisciplinar.
– Motivar a criança com ênfases positivas, de forma lúdica, com apoio emocional.
– Mudar de hábitos sempre que o IMC maior que 85 em qualquer idade, orientada pelo pediatra, principalmente em famílias com história familiar de HAS, dislipidemia, resistência insulínica.
Hábitos saudáveis
– Alimentação saudável é para todos! Menos açúcar. Gordura e sal, maior teor de fibras e nutrientes, com disciplina na qualidade e quantidade dos nutrientes, horários regulares de refeições, com uma rotina organizada.
– Incentivo ao aleitamento materno.
– Exemplo e participação de toda a família.
– Prática de atividade física por no mínimo 30 minutos ao dia.
– Crianças saudáveis devem fazer até 60 minutos ao dia de exercícios moderados a vigorosos – estimular atividade lúdica (adequada para cada idade).
– Redução dos horários de TV e computador para máximo de duas horas ao dia.
– Rotina para acordar e dormir cedo.
– Apoio psicológico.
– Motivação.
– Tratamento com medicamentos se necessário.
– Tratamento Cirúrgico: em casos de falha do tratamento clínico (fase puberal Tanner 4-5).

Publicado na Revista do SIMESC, edição nº 144, janeiro a março de 2014, p. 8.
Rose Marie Mueller Linhares é endocrinologista e pediatra e filiada ao SIMESC.

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