Mas, o que é autoestima?

Ter a autoestima elevada pode fazer a diferença na vida de uma pessoa. Essa é a afirmação que vemos em palestras, vídeos, livros e programas de televisão onde o bem-estar, a qualidade de vida e os relacionamentos interpessoais são enfocados. Mas o que se torna difícil de entender e quase sempre não é explicado é: O que é exatamente isso que chamamos autoestima? O que determina uma baixa autoestima? O que fazer para ter uma boa ou elevada autoestima?

Essas questões não são de fácil resposta, mas vamos tentar abordá-las ao longo deste texto.

O que é autoestima? Alguns autores e a maioria dos leigos dizem: É gostar de si mesmo, valorizar-se! Outros dirão: É ter uma opinião positiva de si mesmo, ter uma boa imagem de si. Há quem defenda: É ser confiante, acreditar em si e em sua capacidade. E se pedimos para explicarem melhor estas afirmações e fazerem uma diferenciação entre amor-próprio, autoconceito, autoimagem, autoconfiança e autoestima, parece difícil. Mas, vamos tentar facilitar isso tudo, até porque as afirmações acima não estão erradas ao definir autoestima, mostram-se, talvez, incompletas. Acredito ser uma definição mais adequada apresentarmos autoestima como a opinião acerca de si (autoconceito), somada ao valor ou sentimento que se tem de si mesmo (amor-próprio, autovalorização), adicionado a todos os demais comportamentos e pensamentos que demonstrem a confiança, segurança e valor que o indivíduo dá a si (autoconfiança), nas relações e interações com outras pessoas e com o mundo. Então, não estamos falando apenas de um sentimento que temos por nós mesmos. Mais que isso, estamos falando de pensamentos e comportamentos que temos relacionados a nós mesmos.

O que determina uma baixa autoestima? O que fizemos ou fazemos para que o sentimento e as atitudes que temos conosco tornem-se tão negativos ou tão baixos, diminuindo-nos?

Os estudos sobre autoestima apontam em sua extensa maioria para influências presentes em nossa infância (Rosenberg, 1983 e Coopersmith, 1967). Coopersmith, que realizou um amplo estudo sobre autoestima, aponta como fatores importantes na construção da autoestima: “a) o valor que a criança percebe dos outros em direção a si, expresso em afeto, elogios e atenção; b) a experiência da criança com sucessos ou fracassos; c) a definição individual da criança de sucesso e fracasso, as aspirações e exigências que a pessoa coloca a si mesma para determinar o que constitui sucesso; d) a forma da criança reagir a críticas ou comentários negativos.” (Gobitta & Guzzo, 2002).

Podemos de forma mais abrangente apontar situações que, quando presentes na vida de uma pessoa, são precipitadoras e/ou mantenedoras de uma baixa autoestima, tais como: críticas, rejeições, humilhações, abandono, desvalorizações e perdas. Importante frisar que a construção dessa percepção negativa de si mesmo é resultado de interações sociais (familiares, escolares, profissionais, entre outros…). Nelas a pessoa vivencia situações onde é colocada numa posição de sentir-se inferiorizada e de menor valia.

Coopersmith (1967) afirma, ainda, que “… crianças não nascem preocupadas em serem boas ou más, espertas ou estúpidas, amáveis ou não. Elas desenvolvem estas ideias. Elas formam autoimagens… baseadas fortemente na forma como são tratadas por pessoas significantes, os pais, professores e amigos”, e eu complementaria dizendo que elas também passam a se comportar, a agir consigo e com as pessoas baseadas nestas experiências.

Então, o que alguém pode fazer para ter uma boa ou elevada autoestima?

Comecemos com orientações de Coopersmith, para as crianças e os pais:

“a) experimentar uma total aceitação de seus pensamentos, sentimentos e valores pessoais;

b) estar inserida num contexto com limites claramente definidos, desde que sejam justos e não opressores;

c) os pais não usarem de autoritarismo e violência para controlar e manipular a criança, bem como não humilhar, nem a ridicularizar; e,

d) “os pais devem apresentar um alto nível de autoestima, pois eles são exemplos vivos do que a criança precisa aprender.” (Gobitta & Guzzo, 2002)

Complemento com dicas que servem a todos:

1)      Buscar o autoconhecimento, pois ele permite entender e identificar o que acontece que te faz sentir-se menos valorizado. Ou seja, quais fatos ocorreram (ou ocorrem) em sua vida que geram sentimentos de impotência, tristeza, ansiedade e/ou menos valia;

2)      A partir desse levantamento do fato ou dos fatos, encontrar maneiras alternativas de agir naquela situação, para não ser tomado pelos sentimentos. Um exemplo seria a pessoa descobrir seus “pontos fracos” e saber que ela poderá ser criticada por eles, e assim agir sobre eles fazendo cursos, aprendendo com outros ou exercitando mais aquela habilidade;

3)      Identificar suas qualidades não apenas os defeitos, isso facilita o engajamento em tarefas onde suas características positivas possam ser realçadas, o que leva ao próximo item;

4)      Engajar-se em atividades mais prazerosas, ou onde tem um bom desempenho e se é valorizado. Assim, fortalece-se a autoestima, não pela superação de um problema, mas pelo aumento de atividades que produzem coisas boas a si e validem o que se é e o que se faz;

5)      Valorizar a si mesmo e sua individualidade empenhando-se em atividades que lhe tragam felicidade, seja cuidar de forma física (melhor autoimagem), dançar, ler um bom livro, permitir-se ser cuidado, amado e sentir-se especial.

Os benefícios para si tanto na vida pessoal, relacionamentos afetivos, familiares, quanto na vida profissional são grandes. Lembre-se de quem deve ser a pessoa mais especial e importante no mundo, você!

Referências

Coopersmith, S. (1967). The antecedents of slf-esteem.San Francisco: Freeman

Gobitta, M. and Guzzo, R. S. L. (2002) Estudo inicial do inventário de Autoestima (SEI): Forma A. Psicologia Reflexão Crítica, vol.15, n°1.

Rosenberg, M. (1979). Conceiving the self. New York: Basic Books.

InPA Instituto de Psicologia Aplicada.

Disponível em:   http://www.inpaonline.com.br/artigos/voce/auto_estima.htm     

Este artigo foi publicado na Revista Escola de Pais do Brasil – Seccional de Biguaçu, nº 4, maio de 2012, p. 44.

Enrique Maia

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