Dor do crescimento

A criança já está na cama, é noite, ela desperta e procura os pais, reclamando de dores na perna. A dor ocorre com maior frequência no final da tarde ou da noite. A duração da dor é variável, de minutos até horas. A piora da dor ocorre após atividade física intensiva e com o frio, melhorando com repouso.

Antigamente era crença que quando os ossos, músculos e tendões estavam sofrendo desenvolvimento, a criança poderia apresentar algum desconforto. Não há comprovação científica de que “crescer” cause dores. As partes do corpo em que as crianças referem dores são coxa, joelhos e pernas.

A denominação “dor do crescimento” é errônea, reconhecida por vários autores.

As crianças entre 3 e 15 anos se queixam de dores nos membros inferiores, sendo problemas osteo-músculo-ligamentares, não articulares, porém de grande intensidade e capazes de impedir o sono e fazê-las chorar.

O processo de crescimento é indolor, sendo a extremidade dos ossos do local de maior crescimento e, por conseguinte, deveria doer mais dor deveriam crescer mais, o que não ocorre. Poderíamos denominar de “dores recorrentes dos membros inferiores ou dores benignas da infância”.

É uma situação em que o pediatra se depara com uma criança normal, saudável e ativa, que reclama de episódios de dores nas pernas. A criança muitas vezes vai dormir bem e acorda chorando com dor, solicitando que a mãe administre analgésicos e aplique massagens para obter alívio.

Essas dores são geralmente por fadiga. A patologia não é nova e teve seu diagnóstico em 1923 por Duchamps, e ainda hoje representa uma das causas mais rotineiras de consultas a especialidades ligados à área de pediatria.

É importante não rotular para criança a ideia de que está doente. Este problema atinge 12,5% dos meninos e meninas, com idade de 03 a 13 anos, e não tem causa conhecida. Trata-se de um quadro comum na população infantil, podendo afetar uma a cada três crianças.

Ela desaparece sem deixar sequelas. É muito importante descartar outras patologias provocadas por fraturas, doenças reumáticas, hematológicas e até mesmo endócrinas. É necessário muito cuidado no uso de analgésico e anti-inflamatórios sem prescrição médica. O melhor seria colocar compressas aquecidas no local por um longo período.

O diagnóstico é realizado quase de imediato ao relato pelos pais em relação ao problema e neste momento o especialista solicita exames necessários para excluir outras causas. Ressaltamos que as dores realmente existem, não sendo simulação da criança para obter ganhos secundários.

Lembre-se somente o médico poderá orientar o tratamento correto de seu filho portador desta condição. Todas as possibilidades diagnósticas, como exames necessários, são solicitados pelo especialista, a fim de tranquilizar a família, esclarecendo que se trata de uma patologia benigna sem sequelas. Como a doença tende a desaparecer com o passar do tempo, as crianças não devem limitar suas atividades normais.

Dr. Carlos Alberto Pierri – CRM/SC 1472 -Ortopedia e Traumatologia – Ortopedia infantil.

Publicado na Revisa Saúde – agosto 2017, p. 146.

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