Construindo e mantendo a confiança

A palavra confiança significa com+fé. Quem confia deposita, acredita, investe, se relaciona e se entrega.

Confiar é requisito básico em qualquer negócio. Quando pedimos uma pizza por telefone, precisamos confiar que ela virá e será de boa qualidade para o consumo. Ao mesmo tempo, a pizzaria precisa confiar que foi um pedido, não um trote, e que receberá o pagamento. Ao escolhermos um médico, ao comprarmos um remédio, enfim, tudo se apoia na confiança. Nas relações, quando escolhemos um amigo e um parceiro para namorar, casar, ou fazer uma sociedade comercial, a confiança também é um item básico.

No primeiro momento, sentimo-nos atraídos pela beleza, simpatia, inteligência, e fazemos um depósito “inicial” de confiança. Sem o depósito inicial, nada acontece. Conhecemos alguém, nos encantamos, vamos investindo, nos relacionando, nos entregando, e a confiança vai crescendo, sendo alimentada e mantida. Às vezes, acontecem algumas decepções ou desentendimentos que fazem com que retiremos os depósitos de confiança. Vamos nos  recolhendo e nos retraindo.

Confiar não é fechar os olhos. Você pode e deve conferir. Confiar é acreditar primeiro, entregar-se, sentir a outra mão estendida e verificar depois. Em alguns momentos, você sente tudo isso praticamente ao mesmo tempo. Quando temos um bom vínculo percebemos pelo olhar, pelo sorriso que tudo está fluindo bem ou começou a não fluir. É preciso sentir alguns sinais.

Quando um casal se forma, a confiança, além do amor e do respeito, é um item muito importante. Ela também precisa estar presente quando o casal faz um projeto, como ter um filho, viajar, construir uma casa, por exemplo. Precisamos acreditar um no outro, acreditar em cada um, acreditar que é possível. Assim nos unimos e superamos o cansaço, desânimo, medo, obstáculos que surgem naturalmente. E depois de um tempo, conseguimos realizar nosso objetivo.

Vamos falar em especial do projeto de ter um filho, educá-lo, criar uma família. Se a confiança é grande podemos dividir tarefas, ter espírito de equipe, mais cooperação, menos competição. E desde cedo, a criança vai aprendendo que a união faz a força e que todos podem fazer sua parte, inclusive ela (mesmo que seja uma criança pequena). A criança pode aprender a guardar seus brinquedos, do jeito dela, pode aprender a tirar a roupa do chão e colocar na cama, ou no cesto, pode aprender a jogar o lixo no lugar a ele destinado. Assim, ela vai crescendo participativa. Aprende a cuidar dela, do que é seu, da casa, do condomínio onde mora. A confiança vai se estabelecendo. O mesmo acontece em relação às tarefas da escola. No começo, os pais ajudam, ensinam, depois deixam seus filhos fazerem sozinhos e apenas corrigem. Assim, a confiança da criança nela mesma vai crescendo. Aprende a assumir desafios e a se superar. Se uma tarefa é muito difícil ela sabe que pode pedir ajuda e reunir-se com amigos. Quando acontece uma briga ou qualquer outro problema na escola, o que é natural que aconteça, a criança sabe que pode chegar em casa e contar para os pais  para conversarem a respeito. Assim, os pais procuram a escola, colocam-se a par da situação e vão buscando soluções que sejam boas para todos os envolvidos.

A criança que confia em si e na família tem mais abertura, autoestima e fé. Fé no sentido amplo da palavra, e não apenas no sentido religioso. É claro que acreditar em Deus pode ajudar, mas acreditar em si mesma é fundamental. A criança que tem fé se torna um jovem mais confiante.

Acreditando em si, na família, nos amigos, o jovem se abre quando enfrenta uma dificuldade, faz alianças, e seus conflitos são superados naturalmente. Com isso, a necessidade de buscar alívio em substâncias químicas diminui.  Mesmo que em algum momento, por curiosidade, ele procure o alívio em tais substâncias, a confiança na família vai ajudá-lo a contar e pedir auxílio.  Se ele conta para amigos, ele ouve as diferentes opiniões e tira sua própria conclusão do que vale ou não a pena. Nesta fase, o grupo de amigos é muito importante. É o momento de diferenciar da família. Lógico que, às vezes, acontecem problemas. Pode acontecer de um jovem ficar seriamente comprometido com o uso de drogas e não conseguir mais estudar, trabalhar etc. Então procurar ajuda especializada é fundamental.

Algumas dicas para manter e proteger a confiança: proteja a relação – fortaleça a outra pessoa ao invés de depreciá-la; presuma o melhor – quando houver um problema de motivação ou intenção, pense o melhor sobre a outra pessoa e também sobre você; comunique-se com clareza – diga o que você quer e não o que você não quer; mantenha e proteja a confiança – às vezes é preciso pedir perdão e perdoar; trate dos assuntos difíceis – evitar conflitos em curto prazo tem efeitos devastadores em longo prazo.

Confiança é um bem precioso. Vivemos num mundo onde tudo acontece rapidamente. As relações são “líquidas”. Somos carentes de sinceridade e lealdade. Então, quando encontramos e somos capazes de cultivar estas habilidades, reconhecê-las e valorizá-las é fundamental. Assim, podemos manter uma parceria, uma família e amigos de longa data.

Referência

AMEN, Daniel G. Transforme o seu cérebro, transforme sua vida. Ed. Mercuryo.

Este artigo foi publicado na Revista Escola de Pais do Brasil – Seccional de Biguaçu, nº 4, maio de 2012, p.18.

Márcia Alenca – Psicóloga – CRP 12/00559, Psicoterapeuta e Hipnoterapeuta, Especialista em Psicologia Clínica – Florianópolis. psicomar@terra.com.br

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