Como superar ódio pós-separação, tendo que manter contato por causa do filho?

Separei-me e tenho ódio mortal de minha esposa. Como temos um filho de nove anos, como faço para superar esta fase? Não tenho intenção nenhuma de viver harmoniosamente com ela”


“Se a harmonia não é possível adote a neutralidade, com se faz no ambiente de trabalho”

Resposta: Ninguém consegue mandar nos sentimentos. Eles estão aí despertados pelas nossas vivências, nossos sucessos e fracassos, pelas ilusões e desilusões provocadas por nós mesmos ou pelos outros.

No momento presente você sente raiva. Está sendo bastante honesto e corajoso em expressar seu sentimento de forma clara, sem rodeios, racionalizações ou subterfúgios.

Essa é a sua verdade e você tem todo direito de assumi-la. Existe porém uma diferença entre sentir raiva e agir com raiva. O que nos torna civilizados é nossa capacidade de perceber nossos sentimentos e expressá-los ou guardá-los de acordo com a nossa conveniência.

Assim, quando você diz que não tem a intenção de viver harmoniosamente com sua ex, entende-se que quer se relacionar com ela litigiosamente, ou seja, alimentar brigas e desentendimentos o tempo todo. É isso mesmo? Bem, se assim for, se as brigas ficarem restritas a você e sua ex, e se você assumir as consequências do peso de uma relação amorosa passada ocupando um grande espaço no seu cotidiano, tem todo o direito e a possibilidade de fazer dos desentendimentos a sua bandeira. Afinal, para brigar não é preciso muito esforço, não é?

O problema maior acontecerá se essas brigas envolverem seu filho. E geralmente envolvem! Uma criança de nove anos já entende as coisas e, certamente, se sentirá impotente e conflituada se tiver que escolher entre mãe e pai; muito provavelmente terá problemas na escola se sua concentração for roubada para a elaboração da dor sentida ao ver as figuras mais importantes de sua vida se estapeando verbalmente. E, certamente, será ferida em seus direitos legais de não participação em assuntos para os quais não está preparada emocionalmente.

Será que vale a pena?

Talvez o mais sensato seja adotar uma atitude de neutralidade já que harmonia é uma palavra que você descarta no momento. Afinal, somos obrigados a ser neutros na maioria de nossos relacionamentos cotidianos, não é? Se você consegue essa neutralidade no trabalho, por que não adotá-la em sua vida pessoal? Lembre-se que você se separou, provavelmente para se livrar das brigas e desentendimentos que foram ficando insuportáveis. Qual a lógica de manter essas brigas sem necessidade?

Quanto à superação, virá com o tempo. Você certamente poderá viver novos relacionamentos amorosos se assim o quiser; ou optar por ficar só se achar mais conveniente.

Nos dias de hoje cada um vive como quer: casado, descasado, recasado ou isolado. Você só não pode se separar do seu filho enquanto ele for menor, e do bom senso, caso queira aproveitar sua vida ao invés de destruí-la. O resto passa.

Anette Lewin – artigo publicado no site UOL

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