NEUROCIÊNCIA: como pode ajudar pais e educadores?

Os estudos e descobertas levam a novos conhecimentos sobre o desenvolvimento do cérebro humano e nos fazem acreditar que o cuidado e a criação têm muito a ver com a capacidade de aprender e com a habilidade de regular as emoções.

Quem são os personagens dos primeiros contatos dos nossos bebês?

O aprendizado começa muito cedo e se concretiza por meio de habilidades desenvolvidas. As respostas dadas às crianças pelos pais e cuidadores e a forma como as crianças estabelecem contatos com o meio ambiente levam à construção de caminhos neurais que muito têm a ver com as experiências biológicas prévias.

Desde muito cedo, o indivíduo  interage com o meio, reage a estímulos, recebe, processa e guarda informações, tudo de uma forma muita acelerada até os três anos de idade. Assim,  nos reportamos a dois fatores importantes que formam um elo saudável: pais e agentes educadores afetivos e seguros são presença no desenvolvimento das crianças que também serão afetivas e seguras. Precisamos considerar que o desenvolvimento cerebral de uma criança, além de levar a um bom desempenho escolar, tem a ver com a sua saúde e o seu bem estar.

As experiências precoces, até mesmo antes do nascimento, podem interferir no desenvolvimento das áreas subcortical e límbica do cérebro, provocando ansiedade, depressão, incapacidades de estabelecer ligações saudáveis com os outros.

Em relação ao desenvolvimento na vida intrauterina, os estudos recentes têm nos mostrado que há influências significativas do meio ambiente da mãe e do meio ambiente do feto, o que tem a ver com as condições gestacionais. Ambientes externos influenciam a mãe e o seu concepto, causando alterações genéticas com mudanças na expressão gênica,  cujas consequências são alterações na esfera emocional e também na esfera física.

Primeiro, a neurociência, e agora,  mais recentemente, a epigenética – que é o estudo de como são feitas as ligações químicas de longa duração que são reguladoras dos genes – nos levam, pais, educadores e autoridades da saúde e da educação, a pensar urgentemente em políticas que favoreçam o melhor exercício da parentalidade, oportunizando melhor atenção às necessidades das nossas crianças. Os pais precisam de mais informações sobre o tipo de cuidado  que leva a um melhor desenvolvimento do cérebro e das conexões cerebrais do seu filho. Mesmo diante de traumas e estresse, se o atendimento oferecido for oportuno e intenso, muitos problemas no desenvolvimento da criança poderão ser evitados.

Os neurocientistas têm nos mostrado  que no processo de desenvolvimento do ser humano, que começa antes do nascimento, o cérebro é influenciado por condições  ambientais, incluindo o tipo de criação, o cuidado, o ambiente e a estimulação recebida.

Quem leu Freud, Anna Freud, John Browlby, Roberttsons, Selma Fraiberg, Brazelton, Sally Provence, seguramente deve ter ficado impressionado com seus julgamentos clínicos e suas precisas conclusões colocadas em suas obras, sobre a importância da infância “confiando apenas em seus olhos, sem o benefício das novas e sofisticadas tecnologias de imagem”. Havia na época pouquíssima evidência neurológica para comprovar suas teorias. A neurociência permitiu a documentação biológica de tudo o que se pensava, ampliando ainda mais os nossos conceitos e reafirmando a importância dos períodos iniciais da vida humana para o seu desenvolvimento.

Precisamos estar atentos e abertos para estes novos conhecimentos.

                                    “O segredo fundamental do cérebro será descoberto um dia.

                                    Mas mesmo quando isto acontecer, a maravilha continuará.”

                                                                                          (No filme: Palavras e Imagens)

Publicado na Revista Escola de Pais do Brasil – Seccional da Grande Florianópolis nr 7, out 2017, p. 24.

Cezar Augusto Detoni – Médico, gastroenterologista e endoscopista, com formação em terapia de família e casal, associado da Escola de Pais do Brasil há 29 anos.

 

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