Adoção: Pais com contra indicações

Diz a sabedoria popular que, para a vida ser completa, é necessário que se escreva um livro, plante uma árvore e tenha um filho. Entendo que seja uma maneira de o DNA se perpetuar na literatura, na natureza e na humanidade.

Faz parte de qualquer ser humano os instintos de sobrevivência e de perpetuação da espécie. Ninguém saudável aprecia a idéia da morte natural acabar com tudo o que uma pessoa tenha durante a vida. Estes querem deixar alguma contribuição ou marca de sua passagem aqui na Terra, pelo menos o seu DNA. Chego até a pensar que o DNA tenha instintos próprios de sobrevivência, portanto, instiga o instinto sexual humano e de outros seres vivos que usam a reprodução sexual.

Portanto, ter filhos perpetua o DNA dos pais, que, com a perpetuação de seus genes, ganham a sensação de plenitude à vida.

Tudo isso para dizer que é possível escrever um livro ou plantar uma árvore sozinho, mas é impossível gerar um filho sozinho. É necessário o encontro celular de um DNA feminino, que está no óvulo, com outro DNA masculino, que está no espermatozóide, para iniciar uma célula-ovo, única, que vai crescer, desenvolver-se e evoluir para ser um adulto humano. Mesmo que não a gere, uma mulher pode receber no seu útero uma semente pronta alhures, pela reprodução assistida.

Por não ter útero, a participação do homem está na formação da célula-ovo e depois não há como ele participar biologicamente da gravidez nem do parto.

Podemos controlar se teremos ou não filhos. Na impossibilidade biológica, o ser humano dotado de inteligência superior e persistência inquebrantável na vontade de ter filhos, buscou uma solução: a adoção.

Muito se fala sobre adoção, mas poucos falam sobre casais que não deveriam adotar filhos.

É muito difícil fechar uma posição formal que proíba definitivamente uma adoção, pois uma das características do ser humano é a possibilidade de mudança. Com os avanços na medicina, muitas dificuldades já foram e outras mais serão superadas.

São indicações transitórias de que um casal não esteja em condições de adoção quando:

  • O casal, ou somente um dos cônjuges, quer adotar crianças para resolver seus problemas conjugais como brigas e desavenças cotidianas pois: (i) nenhuma criança resolve problemas conjugais; (ii) ela é simplesmente usada pelo casal em conflito; (iii) ela passa a ser um problema a mais para o casal resolver; (iv)ela passa a sofrer inocentemente de um problema conjugal pré-existente; (v) ela pode piorar a situação do casal; (vi) o casal se separa litigiosamente e a briga continua; (vii) ela passa a ser um valor a ser disputado: (viii) ela se torna um peso rejeitado por ambos etc;
  • um cônjuge usa crianças para seu interesse particular como (i) segurar um deles em casa; (ii) manter o cônjuge vinculado a outro; (iii) justificar comportamentos de um cônjuge por não mais aceitar o outro; (iv) trocar um cônjuge pelas crianças; (v) transformar as crianças em recursos para impor as vontades de um cônjuge sobre outro; (vi) valorizar ou desvalorizar as crianças como objetos de barganha para vantagens pessoais; (vii) garantir sua existência, material ou não, como cônjuge etc;
  • um cônjuge, ou os dois, tem sérios problemas que correm alto risco de vida como (i) uso descontrolado de drogas ilícitas ou lícitas ou ilícitas; (ii) sério comprometimento psiquiátrico que inviabiliza a própria sobrevivência; (iii) sério distúrbio comportamental que inviabiliza a sua vida social (ou a do cônjuge); (iv) doença com séria e inexorável deterioração mental progressiva etc.

Reforço que estas condições sejam transitórias, pois sabemos que as pessoas mais cedo ou mais tarde poderão melhorar, curarem-se de suas doenças e livrarem-se dos seus problemas, tornando-se pais excelentes, transformando seus filhos adotivos em cidadãos de Alta Perfomance.

Disponível em: http://www.tiba.com.br/artigo.php?id=057

Içami Tiba é psiquiatra e autor de 31 livros, dentre eles: “Quem Ama, Educa” e “Educação Familiar: Presente e Futuro”

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