A importância do acolhimento aos pais de filhos com diagnóstico de deficiência na construção de um convívio rico em relações positivas

O nascimento de um filho com diagnóstico de deficiência traz para a família uma situação inesperada; ter um filho deficiente representa para os pais o rompimento de todas as expectativas formadas em relação ao seu descendente idealizado para o encontro com o bebê real.

A situação vivenciada pela família neste momento é permeada por uma confusão de sentimentos. A incompreensão gera grande sofrimento com sentimentos de negação da deficiência, expectativa de cura, tristeza, frustração, inferioridade, revolta, decepção, incapacidade, culpa e o luto pela perda do filho desejado.

Os profissionais envolvidos neste processo necessitam ter conhecimentos das dinâmicas que perpassam no cotidiano familiar para se instrumentalizar emocional e racionalmente, para assim, proporcionar à família maior compreensão dos fatos, bem como auxiliar na reestruturação, elaboração e reorganização dos sentimentos, metas e objetivos, recursos e condutas para o desenvolvimento pleno de seu filho.

Desse modo, constata-se a necessidade de adequação da linguagem profissional para transmitir confiança e segurança à família no repasse de orientações e informações úteis e objetivas, na perspectiva de ampliar e desenvolver as possibilidades de tratamento, reabilitação, educação, entre outros.

A construção da base de uma relação na qual a deficiência não seja o eixo de existir da criança faz com que a família consiga descobrir novos caminhos e perspectivas, fragmentando assim concepções e paradigmas antigos, para fluir novas possibilidades de ser com o filho deficiente.

Nesse contexto, os profissionais da Educação Especial têm papel fundamental no acolhimento à família, oferecendo todo tipo de suporte, orientações e esclarecimentos, assim como na prestação de serviços de estimulação essencial, prevenção e acesso ao conhecimento referentes às necessidades específicas das crianças, objetivando garantir desenvolvimento pleno, a inclusão social e escolar.

Por fim, proporcionar este cuidado à família em um momento de reorganização e reestruturação é permitir com que a família expresse seus medos, conflitos, angústias e dificuldades, de modo que seus limites, sentimentos e seu ritmo sejam respeitados; e, principalmente, que lhe sejam concedidas maneiras diferentes de prestar cuidados e assistência para que se estabeleça um convívio rico de relações positivas.

 

Ana Carolina Silva da Silva é Pedagoga habilitada em Educação Especial pela UFSC. Especialista em Educação Especial pela UFC (Universidade Federal do Ceará). Professora de Educação Especial no Núcleo de Educação Inclusiva Interdisciplinar (NEII) na Secretaria Municipal de Educação de Biguaçu.

Artigo publicado na Revista Escola de Pais do Brasil – Seccional da Grande Florianópolis nº 6, junho de 2015, p. 41.

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